
O
professor
Dr.
Ricardo
Cobucci,
do
Programa
de
Pós-graduação
em
Biotecnologia da Universidade Potiguar (PPGB-UnP) , em colaboração com
pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
publicou um estudo inovador no prestigiado periódico International Journal
of Molecular Sciences , indexado no PubMed com fator de impacto de 4,9 . Intitulado “ Apoptosis and G2/M Phase Cell Cycle Arrest Induced by Alkaloid
Erythraline Isolated from Erythrina velutina in SiHa Cervical Cancer Cells ”. O
artigo revela o potencial do alcaloide eritralina, extraído das folhas da
árvore nativa do nordeste brasileiro Erythrina velutina (conhecida como
mulungu), como uma promissora terapia anticâncer para o câncer cervical ,
que afeta mais de 600 mil mulheres anualmente em todo o mundo.
Liderada pela Profa. Dra. Janaina Cristiana de Oliveira Crispim, da UFRN , a
pesquisa caracterizou a fração enriquecida de alcaloides das folhas de
Erythrina velutina por meio de Cromatografia Gasosa acoplada à
Espectrometria de Massas (GC-MS), identificando seis alcaloides, incluindo a
eritralina. O estudo avaliou os efeitos da eritralina em células SiHa de
câncer cervical, demonstrando que o composto induz apoptose (morte
celular programada) de forma independente de caspases e promove parada
no ciclo celular na fase G2/M, com 22% das células tratadas nesta fase em
comparação com 7,25% nos controles não tratados.
“ O câncer cervical é uma das principais causas de morte entre mulheres
globalmente, e as terapias atuais frequentemente apresentam limitações,
como baixa eficácia em casos avançados e efeitos colaterais significativos ”,
explica o Prof. Ricardo Cobucci, coautor do estudo. “ A eritralina, por sua
capacidade de induzir apoptose e interromper o ciclo celular sem afetar
significativamente células saudáveis, como demonstrado em testes com
células mononucleares do sangue periférico (PBMCs), surge como uma
candidata promissora para o desenvolvimento de novos tratamentos . ”
A análise in silico identificou alvos moleculares potenciais da eritralina,
incluindo oxidase de poliaminas (PAO), piruvato quinase M2 (PKM2) e
tanquirase (TANK), que estão associados ao metabolismo tumoral e à
proliferação celular. Esses achados sugerem que a eritralina pode atuar em
múltiplas vias celulares, ampliando seu potencial terapêutico. Contudo, os
autores destacam a necessidade de estudos adicionais , incluindo testes in
vivo e avaliação da atividade antiviral contra o papilomavírus humano
(HPV), para confirmar a eficácia e segurança do composto.
Financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES), a pesquisa reforça o compromisso com a inovação
científica e o combate ao câncer . “ Estamos entusiasmados em contribuir
para o avanço do conhecimento sobre o câncer cervical e explorar o
potencial de compostos naturais do bioma Caatinga, como os encontrados
na Erythrina velutina ”, afirma o Prof. Ricardo Cobucci.
O artigo está disponível para acesso aberto no site da revista .
