
Uma nova fronteira na biotecnologia reprodutiva está sendo consolidada pelo uso de Vesículas Extracelulares (EVs). Um recente artigo de revisão publicado na prestigiada revista Zygote, do grupo Cambridge University Press, detalha como essas nanopartículas naturais, que funcionam como "mensageiras" entre as células, estão transformando a produção de embriões e o tratamento de infertilidade em diversas espécies.
O estudo é fruto de uma colaboração estratégica entre o Programa de Pós- graduação em Biotecnologia da Universidade Potiguar (PPGB-UnP) e a Universidade Estadual do Ceará (UECE). A pesquisa destaca que as EVs , incluindo exossomos e microvesículas, têm a capacidade única de transferir proteínas e informações genéticas para células receptoras, permitindo "reprogramar" o ambiente reprodutivo para favorecer a fertilidade.
Destaques da Pesquisa
Produção In Vitro: A suplementação de meios de cultura com EVs aumenta a qualidade dos gametas e o desenvolvimento embrionário.
Resistência ao Congelamento: As vesículas aumentam a criotolerância de embriões e espermatozoides, superando um gargalo crítico na pecuária.
Terapias Inovadoras: O estudo aponta eficácia no tratamento da insuficiência ovariana prematura e do envelhecimento testicular, com potencial aplicação futura na medicina humana.
Preservação Ambiental: A tecnologia permite usar vesículas de animais domésticos para restaurar a função reprodutiva de espécies ameaçadas, como o lobo-guará.
Talento da Casa e Internacionalização
O primeiro autor do trabalho, Roberto Mendes Júnior, hoje doutorando na França, teve sua base científica solidificada nos laboratórios do Programa de Pós-graduação da Universidade Potiguar. Sua trajetória exemplifica o sucesso do Programa de Iniciação Científica da instituição, que insere alunos de graduação em projetos de alta complexidade.
Para a Profa. Dra. Deborah de Melo Magalhães Padilha, docente do PPGB-UnP e coautora do trabalho, o resultado coroa um ciclo de formação contínua. "A participação de alunos de Iniciação Científica em projetos do PPGB-UnP permite a formação de profissionais com visão crítica e domínio técnico diferenciado", afirma.
A presença de pesquisadores potiguares em periódicos de alto impacto como a Zygote reforça a internacionalização do programa. Segundo a Profa. Dra. Amália Rêgo, coordenadora do PPGB-UnP, um dos focos do Programa é criar redes que permitam ao aluno transitar entre a pesquisa local e o cenário mundial. “A conquista de Júnior Mendes e a liderança científica da Profa. Deborah Magalhães provam que a ciência produzida em Natal possui rigor e relevância para dialogar com as melhores universidades do mundo”, destaca a coordenadora.
