
Pesquisa brasileira demonstra que o "Pirrixiu" (Sesuvium portulacastrum) possui eficácia comparável a antibióticos comerciais no tratamento de lesões cutâneas.
Uma planta resiliente encontrada no semiárido nordestino e em regiões costeiras pode ser a chave para tratamentos dermatológicos mais acessíveis e sustentáveis. Um estudo publicado recentemente na revista internacional Frontiers in Bioengineering and Biotechnology comprovou que o gel extraído da Sesuvium portulacastrum, popularmente conhecida como Pirrixiu, promove a cicatrização de feridas com resultados semelhantes aos de pomadas antibióticas convencionais.
O estudo, conduzido por pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da Universidade Potiguar (PPGB-UnP) e da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), avaliou o potencial cicatrizante da planta em modelos experimentais. Os resultados mostraram que o uso de um gel formulado com 10% da planta ou mesmo o uso do seu material macerado reduziu a área das feridas em até 75% durante o período de tratamento.
Principais Descobertas
Eficácia Comparável: O tratamento com a planta apresentou resultados de reepitelização (fechamento da pele) e deposição de colágeno.
Ação Anti-inflamatória: O estudo observou uma redução significativa na inflamação das feridas tratadas com a planta em comparação ao grupo que recebeu apenas soro fisiológico.
Segurança: Durante todo o experimento, não foram observados eventos adversos, sinais de infecção ou estresse, sugerindo que o tratamento é seguro para aplicação tópica.
Estímulo ao Colágeno: As análises histológicas revelaram que a planta ajuda na organização das fibras de colágeno, essenciais para a resistência e regeneração da pele.
Biodiversidade e Sustentabilidade
O Sesuvium portulacastrum é uma planta halófita, capaz de sobreviver em solos com alta salinidade e condições climáticas extremas. Segundo o Dr. Fausto Pierdoná Guzen, um dos autores correspondentes do estudo, a descoberta reforça o valor da biodiversidade da Caatinga e abre portas para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas de baixo custo.
"Os achados apoiam a S. portulacastrum como uma alternativa terapêutica promissora e potencialmente sustentável, valorizando o conhecimento empírico sobre plantas medicinais com rigor científico", afirma o estudo.
Próximos Passos
Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores ressaltam a importância de novos estudos para isolar os compostos específicos da planta responsáveis pela cura e para a realização de testes clínicos em humanos. A comercialização de produtos à base de plantas sem regulação ainda representa riscos, e este estudo serve como um passo fundamental
para garantir a segurança e eficácia no uso de fitoterápicos.
Sobre a Publicação
O arigo, intitulado "Experimental evaluation of the healing potential of Sesuvium portulacastrum in excisional wounds in wistar rats", foi publicado na renomada revista internacional Frontiers in Bioengineering and Biotechnology (DOI: 10.3389/fbioe.2025.1707625).
Segundo a Profa. Dra. Amália Rêgo, coordenadora do PPGB-UnP e uma das autoras correspondentes do estudo, este artigo é fruto de uma colaboração estratégica. "Esta publicação não apenas valida o potencial da nossa biodiversidade, mas também coroa a sólida parceria científica entre os pesquisadores do PPGB-UnP e da UERN. Essa união de esforços entre instituições potiguares demonstra a força da rede de pesquisa no nosso estado, transformando recursos naturais da nossa região em soluções biotecnológicas de relevância internacional", destaca a coordenadora.
