
O Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Potiguar (PPGB-UnP), apresenta uma importante contribuição para a saúde pública e a proteção dos direitos das mulheres. No último dia 5 de maio, Débora Bianco Lima defendeu sua tese de doutorado focada no desenvolvimento da plataforma Viva Ela (www.vivaela.net), uma solução tecnológica voltada para o acolhimento multidisciplinar de mulheres vítimas de violência sexual no Sistema Único de Saúde (SUS). Sob a orientação do Prof. Dr. Ricardo Ney Cobucci, a pesquisa "Atendimento às mulheres vítimas de violência sexual na era digital: desenvolvimento da plataforma de acolhimento Viva Ela" foi desenvolvida no âmbito do Doutorado Profissional em Biotecnologia da Saúde da UnP.
O projeto surge em um cenário alarmante: apenas em 2023, o Rio Grande do Norte registrou centenas de casos de violência sexual, sendo as mulheres as principais vítimas. A plataforma Viva Ela foi concebida para atuar como uma ponte entre as usuárias e o Projeto Acolher, da Maternidade Divino Amor, em Parnamirim/RN, facilitando o acesso a informações de qualidade e ao atendimento especializado.
O funcionamento do site ocorre em duas etapas estratégicas:
1. Acolhimento Inicial: A mulher aciona o serviço via plataforma, onde recebe orientações de uma equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros e médicos.
2. Encaminhamento: Caso a usuária deseje prosseguir, o sistema direciona para os serviços de saúde e redes de proteção disponíveis no estado.
O Prof. Dr. Ricardo Ney Cobucci, orientador da pesquisa, ressalta que o diferencial do projeto é a aplicação prática da ciência para resolver um problema crítico de saúde pública. "A plataforma Viva Ela não é apenas um repositório de informações, mas um recurso tecnológico de comunicação que garante agilidade e discrição no acolhimento multidisciplinar. Nosso objetivo foi criar uma ferramenta que desburocratize o acesso e proporcione um atendimento humanizado, focado na superação do trauma e na garantia de direitos".
Um dos pilares do trabalho de Débora Bianco Lima é o rigor com a privacidade. O software Viva Ela já possui registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número BR 51 2025 003826-7, garantindo sua validade e proteção. Além disso, toda a estrutura da plataforma está em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), exigindo consentimento explícito para o manejo de dados sensíveis e assegurando o sigilo necessário em casos de alta complexidade.
O uso da tecnologia visa reduzir a burocracia e, principalmente, evitar a revitimização da mulher, que muitas vezes precisa repetir seu relato traumático diversas vezes para diferentes profissionais. "O Viva Ela promove um cuidado mais humanizado e eficiente, fortalecendo as redes de proteção e avançando na biotecnologia aplicada à saúde pública", destaca a tese.
Para a Profa. Dra. Amália Rêgo, coordenadora do PPGB-UnP, o trabalho de Débora Bianco Lima exemplifica a missão do doutorado profissional. "Este projeto reflete o compromisso do nosso programa com a inovação em saúde e a responsabilidade social. Ao unir a biotecnologia à gestão da segurança de dados e ao cuidado integral, entregamos à sociedade uma solução concreta que fortalece o Sistema Único de Saúde e oferece um suporte digno às mulheres em situação de vulnerabilidade"
Com esta iniciativa, o PPGB-UnP reafirma seu compromisso com a pesquisa aplicada que gera impacto social direto, oferecendo ferramentas que podem ser escaladas para todo o estado e, futuramente, para o país.
Serviço:
- Plataforma: Viva Ela
- Acesso: www.vivaela.net
- Público-alvo: Mulheres vítimas de violência sexual que buscam acolhimento e orientação técnica.
